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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Chega a primeira remessa de lixeiras para o Mutirão do Bem



No dia 17 de dezembro chegaram ao Território do Bem a primeira remessa de coletores (lixeiras) doadas pela empresa FÍBRIA, que serão distribuídas aos moradores de Jaburu e Consolação, durante as mobilizações de educação ambiental, do Mutirão do Bem, que acontece a partir do dia 5 de janeiro.

Foram doados 850 coletores da FIBRIA e 300 da COBRA EMGENHARIA. Cada residência visitada receberá duas lixeiras. Uma para lixo úmido e outra para armazenar lixo seco.

A organização do Mutirão do Bem conseguiu 1.400 lixeiras, além das citadas acima. Além disso, as padarias de Vitória doaram cerca de 250 baldes de margarina (14 Litros), que também serão distribuídos como lixeiras domésticas.

Relatos dessa fantástica experiência


A partir de agora nós postaremos nessa página relatos da equipe do Ateliê e de moradores que estão arregaçando as mangas pra que o Mutirão do Bem dê certo e que essa iniciativa tenha bons resultados. No final quem sabe esses relatos não gerem um livro, cartilha ou um artigo? O fato é que essa experiência não pode passar em branco.


O primeiro relato é o do técnico em Desenvolvimento Comunitário do Ateliê, que também é morador de Jaburu, um dos bairros que compõe o Território do Bem, Cosme Santos. Ele nos conta sua experiência no dia da entrega da primeira remessa das lixeiras.


Por Cosme Santos


Esse inesquecível capítulo se passou no dia 17 de dezembro de 2010. Exatamente numa sexta-feira, com o termômetro marcando mais ou menos uns 40 graus, na sombra. Ou seja, calor infernal.


Mas vamos ao que interessa: tudo começou com um telefonema da Fíbria, em que a representante marcou o horário da entrega das lixeiras que foram doadas para serem distribuídas para os moradores, em janeiro, no projeto de intervenção nos pontos sujos de lixo, no Território do Bem.


Só para constar, o contato foi feito na quinta-feira, dia 16, e a entrega marcada para o dia seguinte, a partir das 9 horas da manhã.


Feito o contato, fui em busca de apoio voluntário para descarregar as lixeiras do caminhão de entrega.


No dia seguinte, na hora marcada, estávamos lá, eu e mais três voluntários, esperando o caminhão.


O motorista me ligou por volta das 9 horas, avisando que estava saindo, porém a ligação caiu e ele não ligou de novamente, e eu não pude retornar pois a ligação era restrita.


Começava então a saga da entrega. As horas foram se passando e nada de o caminhão chegar. Para piorar, os voluntários começaram a se dispersar. Alegando estarem com fome e terem compromisso a tarde.


Foi então que após muitas tentativas, a Denise, conseguiu contato com a representante da Fíbria e com o motorista. Eles avisaram que tinha saído de Aracruz, que estava parando em Jacaraípe para almoçar e que depois seguiria para o Jaburu.


A Denise então me tranqüilizou. Assim, fui para casa, almocei e depois voltei para o Mirante.

E finalmente chegou o tão esperando momento da entrega.


Mas logo percebi que teríamos problema por causa do tamanho exagerado do caminhão, tal como manobrar no Mirante para entrar de ré no canteiro da Estrutural (empreiteira de construção) para descarregar.


No momento da manobra, além dos carros que já estavam estacionados, surgiu ainda o segundo micro-ônibus, da linha de Jaburu. Apareceu também o caminhão da coleta de lixo para recolher a caçamba, que fica ao lado do Mirante. E como os transtornos não podiam acabar por aí, chegou ainda um caminhão de entrega de material de construção. Ah, esqueci de mencionar que já tinha um caminhão dentro do canteiro da Estrutural, fazendo outra descarga.


Bom, isso durou aproximadamente uns 40 minutos. Ufa!!


E passamos por todos os empecilhos, mas estávamos felizes, pois conseguimos estacionar e realizar a tão sonhada descarga das lixeiras. E para minha surpresa, surgiram quatro jovens empenhados em ajudar voluntariamente e comprometidos com o sucesso da entrega, exigindo somente que fossem contemplados com a doação de duas lixeiras, no dia 5 de janeiro, para colocarem em suas casas, fato que me deixará feliz, pois é a prova de que a maioria dos jovens tem boa vontade, porém lhes falta oportunidade para demonstrar.


O motorista que pouco ajudou confessou que houve um erro de cálculo na escolha do caminhão, que, segundo ele, poderia ter sido menor, causando assim menos transtorno.


Bom, os problemas não pararam por aí. Ao final da descarga em Jaburu, os jovens voluntários que nos ajudavam, avisaram que em Consolação eles não iriam, devido ao conflito territorial. Assim fiquei sozinho novamente aguentando a pressão do motorista que, a todo momento, lembrava ter outra entrega a realizar.


Liguei para Denise (pela milésima vez), que imediatamente fez contato com a Geisileidia, para procurar apoio para executarmos a entrega das lixeiras em Consolação.


Enquanto isso fiz contato com o engenheiro responsável pelo canteiro da Estrutural. Expliquei o problema e ele cedeu dois homens para nos ajudar em Consolação.


Os dois homens seguiram viagem, apesar de contrariados por terem sidos removidos de suas funções, após eu explicar a importância que o projeto teria para as comunidades, eles se acalmaram.


Ao chegar ao local da entrega, em Consolação, um dos homens abriu a porta do caminhão dizendo que iria embora. Que ali não ficaria, por ele morar em Jaburu, e aquele local ser próximo da comunidade de Floresta.


Acreditem. Ele foi embora mesmo. Para nossa tristeza. Mas novamente não deixamos a peteca cair, e tocamos o barco, ou melhor, a descarga.


A Geisileidia já estava no local, e com um morador de Floresta. Nesse momento ia passando no local o Batista, catador de material reciclado, nós o convidamos para se juntar a nós. Daí a pouco chegou outro morador de Floresta, e até o motorista resolveu ajudar também, todos nós juntos, comprometidos e unidos, por essa causa que, com certeza, trará muitas coisas positivas para as comunidades do Território do Bem.


E assim chegamos ao final de nossa saga, com a descarga do restante das lixeiras, em Consolação, na casa da Dona Maria Rosa.


Mas como tudo tem seu lado bom, e nada acontece por acaso, além da felicidade de ter concluído a missão quase impossível do recebimento das lixeiras.


Aproveitei o tempo de espera da chegada do caminhão, para divulgar o Mutirão do Bem na comunidade, e também divulgar uma ação social de Natal, que aconteceu dia seguinte, 18, em que as crianças da comunidade de Jaburu foram presenteadas com lanche e brinquedo.


Podemos concluir que por mais negativos que sejam os acontecimentos, e por mais difícil que seja a nossa realidade, sempre podemos atrair algo de positivo que sirva para mudar para melhor a realidade de nossos semelhantes.

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